sábado, 29 de março de 2008

12) A Guerra (nada fria) do Século XX - Nintendo X Sega - Parte II

E chegamos ao número preferido do Zagallo em posts!!!

Na edição anterior comecei a contar a história dessa batalha entre duas das mais amadas e respeitadas empresas do ramo de games: Nintendo e SEGA. Procurei dar um parâmetro de como andava a indústria dos games antes da presença de ambas e terminei contanto sobre a primeira batalha entre os consoles produzidos por elas. Nesse "capítulo" dessa história, comentarei sobre a batalha entre as duas empresas no mundo dos portáteis, e, ainda, a grande e épica batalha entre os seus consoles 16-bit.

Sendo assim, vamos começar essa bagaça!!!

  • 1988 - A SEGA resolve virar o jogo.

Dois anos se passaram desde o início da batalha entre a SEGA e Nintendo. Vários outros consoles de outras empresas foram lançados, alguns até alcançando níveis de popularidade e de vendas superior as duas gigantes em alguns países (como o PC Engine no Japão, mas isso é assunto para outro post), mas sem destronar totalmente os primeiros lugares dessas duas empresas. Ainda assim, a SEGA (exceto no Brasil), não conseguia alcançar a popularidade da sua concorrente (em virtude dos motivos já demosntrados no post anterior). Assim, a SEGA resolve investir em uma plataforma mais sofistificada que pudesse acaber de vez com o reinado do FAmicom/NES, e, em outubro de 1988 (apenas dois anos depois do lançamento do Master System), lança no Japão o Mega Drive, o primeiro videogame de 16 bits da história.


O console tinha um design bem futurista (talvez para constrastar com a aparência de brinquedo do Famimcon, mostrando que o Mega Drive era para jogadores de verdade :) ) e na época impressionou todos com os seus gráficos avançados. Tudo graças a um processador Motorola 68000 (o mesmo utilizado nos computadores AMIGA 500) e que possuía estudendos (para a época) 7,67 MHz de velocidade!!!

Apesar do console não ter emplacado no Japão como se imaginava (talvez pela falta de jogos mais adaptados ao gosto oriental), a SEGA achou que valeria a pena o investimento em outro grande mercado de games (os EUA) e, cerca de um ano depois (ou seja, também dois anos depois do lançamento do Master System nos EUA), mais precisamente em setembro de 1989, o console foi lançado, com o nome de Genesis.



A partir dessa época, a SEGA viveu os seus anos de glória. Os jogos lançados caíram nas graças do povo americano, e a empresa consegue finalmente destronar a Nintendo, se tornando a líder de vendas de consoles no mercado Americano.

Muito do sucesso no mercado americano se deve aos excelentes jogos lançados para o console. Além das adaptações dos Arcades desenvolvidos pela própria SEGA, a quebra da exclusividade das softhoses para a Nintendo anos antes permitiam a SEGA o generoso apoio mercadológico das principais empresas do mercado, a maioria delas já com mais de uma década de bagagem (Konami, Capcom, Hudson, Namco, Tecnosoft, Eletronic Arts - mais conhecida como EA - e várias outras). A EA, em particular, através da sua subdivisão EA Sports, ajudou e muito no sucesso do Genesis nos EUA graças aos seus excelentes jogos de esportes.

Todo esse sucesso da adversária alertou a Nintendo, que já estava preparando a sua nova investida no mundo dos games desde 1987. Só que, desta vez, não para competir diretamente com o novo lançamento da SEGA, mas sim, investindo em um mundo ainda não tão bem explorado: o mundo dos portáteis.

  • 1989 - A Invenção de um Visionário se trnasofrma na Salvação da Nintendo

Gunpei Yokoi, nascido em 1941, foi uma das mais importantes figuras na história do video-game e da Nintendo. Nascido em Kyoto, Japão, ele foi um produtor de tecnologias.

Yokoi começou a trabalhar na companhia em 1965,depois de se formar na faculdade de eletrônicos da Universidade de Doshiha e começou a trabalhar em uma linha de produças de cartas de Hanafuda.

Em 1970, Hiroshi Yamauchi, presidente da Nintendo naquela época chamou Yokoi e pediu-lhe que desenolvesse algo para as compras de Natal. Yokoi entregou-lhe no outro dia um produto, aprsentando a Yamauchi a Ultra_Hand, um brinquedo que era um braço extensível designado para a diversão. A Ultra Hand foi um enorme sucesso vendendo 1.2 milhão de unidades. Yokoi desenvolveu também vários outros brinquedos, durante a era de brinquedos da Nintendo, incluindo o quebra-cabeça Ten Billion Barrel, uma maqiuna de arremesar bolas de baseball chamada Ultra Machine. Outra invenção dele, com a colaboração de Masayuki Uemoura da Sharp, foi o conjunto do jogos com a Nintendo Gun, o Precursor da Nes Zapper.

Em Abril de 1989, Gunpei Yokoi, nove anos depois de ter uma boa recepção com o seu primeiro grande projeto na galreia de games da Nintendo, o Game & Watch, mostra ao mundo o Game Boy, o segundo video-game portátil da Nintendo:




O aparelho tinhatodos os pré-requesitos para fazer sucesso: era portátil (cabia no bolso de qualquer camisa ou calça), simples (o processador principal rodava a apenas 1,1 Mhz e sua tela era preto e branco), eficiente (suas baterias duravam até 20 horas ininterruptamente), barato (foi lançado pelo equivalente a US$ 100) e que levaria até os jogadores, onde quer que estivessem, a diversão até então só experimentada no conforto dos lares ou casas de fliperama..

Quando foi apresentado pela primeira vez em 1987, o presidente da Nintendo na época, Hiroshi Yamauchi, previu que seriam vendidas 25 milhões de unidades em poucos anos, se os jogos certos fossem feitos para ele. O resultado final fo muito além do que ele imaginou.
Aproveitando-se do fato de não haver concorrentes no segmento, juntamente com um trabalho excepcional de suporte da Nintendo, o console portátil se tornou um sucesso instantâneo até hoje, sendo o console mais vendido da história, com 130 milhões de unidades, contando todas as suas versões (Pocket, Color e Micro). Isso é mais uma prova de duas teorias do mundo dos games (e que eu concordo plenamente):

1) A de que o hardware não é pré-requisito para o sucesso de uma plataforma;
2) A de que nunca se deve subestimar o poder de uma empresa como a Nintendo;

Mas a Nintendo não ficou só nisso. Ela preparou o terreno para que, um ano depois, ela finalmente lancasse o real concorrente do Mega Drive/Genesis.


  • 1990 - A chegada do segundo concorrente - O início da Batalha do Século

Vendo o seu domínio ameaçado SEGA após o lancamento do Mega Drive, além da crescente popularidade do PC-Engine, a Nintendo tratou logo de mexer os seus pauzinhos para lançar um contra-ataque e recuperar a sua hegemonia. Para isso, foi lançado, em novembro de 1990, o Super Famicom, fazendo com que a empresa entrasse definitivamente no mundo 16-bits.



Vendo o sucesso que o console fez no Japão, a Nintendo, exatamente seis anos depois do lancamento do NES nos EUA, lançou, em Setembro de 1991, o seu similar no Japão, o Super Nintendo Entertainment System (ou, para os mais íntimos, SNES):



Aproveitando-se da vantagem de ter lançado o seu mais novo videogame dois anos depois do similar da SEGA, a Nintendo incrementou nos gráficos e efeitos sonoros, sendo superior nesses quesitos. Mas o Mega Drive ainda tinha as suas cartas na manga. Apresentamos abaixo a descrição dos dois grandes combatentes:

Especificações SNES Mega Drive
Processador 65816 (16 bits) Motorola MC68000
Velocidade 3,58 MHz 7,6 MHz
Resolução Máxima 512 X 448 320 X 224
Paleta de cores 32768 512
Cores simultâneas na Tela 256 64


Como já foi dito, o SNES levava vantagem na resolução e na maior paletade cores, resultando em gráficos teoricamente melhores. Entretanto, o grande calcanhar de aquiles do SNES era a velocidade do seu processador, extremamente lento (a mesma velocidade do Master System!!!). Mas essas vantagens e desvantagens entre os dois concorentes não bastaram para determinar um vencedor, pois essa foi uma das batalhas mais vorazes da história dos games.


  • 1991 - A SEGA também (tenta) entrar na batalha dos portáteis.

Vendo o Game Boy ser um sucesso retumbante de vendas (afinal de contas, quem naquela época não queria jogar os seus jogos preferidos em qualquer lugar??), a SEGA decide então entrar nessa batalha, motivada pelo sucesso do Mega Drive (que ainda não sofria a ameaça do SNES, ainda no seu início). Assim, em outubro de 1990, a SEGA apresentas, no Japão, o seu primeiro console portátil, o Game Gear:


Olhando as especificações do seu hardware na época, qualquer um chegaria facilmente a essa conclusão: "Putz, o Game Boy não terá nenhuma chance, será trucidado pelo Game Gear!!". Convenhamos, não podíamos discordar de ninguém que falasse isso na época: enquanto que o Game Boy era um simples console portátil P&B, o Game Gear possuía uma paleta de 4096 cores (com 512 simultâneas); o seu processador era exatamente o mesmo do Master (enquanto que o do Game Boy era bem mais simples, rodando a 1,1 MHz); e o Game Gear possuía ainda a retrocompatibilidade com os cartuchos do Mester, através de um adaptador. Parecia ser a aposta certa para tomar o lugar da Nintendo no mundo dos portáteis.

Parecia. Mas não foi isso que aconteceu. O Game Boy continuou reinando firma no mundo dos portáteis, enquanto que o Game Gear padeceu seis anos depois do seu lançamento nos EUA, em 1997, sem ao menos ameaçar o console adversário em nenhum desses anos. Mas como um console infinitamente superior tecnicamente perdeu uma batalha que todos diriam que estaria ganha?? Aqui vão algumas respostas para essa pergunta:

  • Mesmo sendo um portátil, o Game Gear ainda era muito grande em comparação ao seu concorrente, o que dificultava seu transporte;
  • A necessidade de 6 pilhas AA para fazê-lo funcionar (frente as apenas duas pilhas AA do Game Boy);
  • A tela possui iluminação interna que consome muita energia, acabando com as pilhas com poucas horas de uso (lembrando: o Game Boy permitia até 20 horas de uso);
  • O Game Boy foi lançado um ano antes e já havia ganhado boa parte do mercado, com uma disponibilidade muito maior de jogos;
  • A SEGA, ao lançar o portátil, parece que achou que bastava o hardware pesado do seu console para ganhar a peleja. Com isso, concentrou todas as suas fichas no seu bem-sucedido Mega Drive, deixando para o seu portátil uma pífia campanha de marketing, e uma gama de jogos não muito diversificada e de qualidade;
Sendo assim, temos mais uma amostra de "uma boa idéia que naufragou sem mostrar todo o seu potencial".

  • A Época de Ouro do Videogame: a Batalha se intensifica ao redor do mundo (inclusive no Brasil)

Continuando o seu reinado por aqui no Brasil, a SEGA (Através da sua fiel escudeira Tec Toy) lançou o Mega Drive no Brasil em 1990. Bastou repetir a estratégia de marketing que ela fez com o Master System para que o console seguisse os passos do seu irmão de berço por aqui, e se tornar um grande sucesso. Tanto é que os dois consoles são produzidos e distribuidos até hoje pela Tec Toy (inclusive lançando recentemente uma versão portátil do Mega Drive, com 20 jogos na memória):

Esse solitário reinado durou exatamente três anos (junto com o lancamento do seu portátil por aqui em 1992). Pois, em 1993, a Nintendo viu nesse nosso país varonil uma boa oportunidade de expandir o seu mercado, além de aproveitar e destronar o seu tradicional adversário. Assim, através da Playtronic (uma joint venture feita entre a Gradiente e a finada Estrela), ela lançou os seus dois videogames aqui no Brasil. Começava no país a era de ouro dos videogames (que todos os games que viveram a sua infância e adolescência nos anos 90 lembram saudosamente).

Comerciais explodiam pela TV, invadindo o saudoso lar da família brasileira e mostando aos brasileiros as maravilhas da jogatina familiar através desses dois maravilhosos aparelhos. Cada vez mais crianças e adolescentes se renderam a essas maravilhas, cada um escolhendo o seu "time" e defendendo-o com unhas e dentes em qualquer encontro com "torcedores adversários", exaltando as qualidades do seu objeto de adoração e desdenhando dos argumentos apresentados pelo seu semelhante. Eram como duas torcidas adversárias (vejam o termo: adversárias, não inimigas) de futebol se encontrando para um clássico, cada qual torcendo apaixonadamente para o seu time. E, o melhor de tudo: sem violência, e ainda com o atrativo de poder jogar o outro videogame na casa dos amigos. Assim, qualquer um poderia ter "o melhor dos dois mundos". Foram anos simplesmente maravilhosos, indescritíveis, para os gamers daquela época (inclusive para esse projeto de blogueiro que escreve aqui...).

Para provar para vocês que a disputa naquela época era massiva e voraz, aqui vai um presentinho especial: alguns comerciais de TV veinculados no período dessa disputa.

O primeiro apresentado aqui mostra uma campanha agressiva da SEGA, onde ela atinge exatamente o calcanhar de aquiles do SNES, o seu lento processador:


video

Claro que a Nintendo não deixou isso barato e, em 1994, ao lançar "Donkey Kong Country", fez esse comercial, jogando na cara da SEGA que o SNES não precisava de nenhum periférico (32X e Sega CD) para fazer gráficos renderizados:

video

Aqui temos mais comercial da série "Genesis Does Nintendon't" da SEGA, mostrando os jogos exclusivos a maioria resultado da parceria com a EA Sports) do seu console:

video


Se a SEGA tinha o "Genesis Does Nintendon't" como lema, a Nintendo tinha o "Play it Loud!". Aqui temos um comercial do jogo "Killer Instinct", onde os atores não deixam menor dúvida quanto ao poderio gráfico do jogo:

video


Quem disse que por aqui a chapa também não esquentou?? No nosso lar tupiniquim também veincularam comerciais feitos sob medida para a Nintendo e a SEGA. Infelizmente não encontrei nenhum para Mega Drive (caso alguém encontre, me avise...), mas encontrei dois interessantes que dizem respeito a Nintendo: um comercial para promover o SNES, e o outro, para prommover o Phantom System, um dos "clones legalizados" do NES:

video

video

Para finalizar, temos aqui duas compilações de comerciais veinculados na TV norte-americana encomendados pela SEGA e pela Nintendo, para exaltar as vantagens de seus bólidos 16-bit:

video

video

O veredito final dessa batalha: difícil dizer. Na minha modesta opinião, pode-se declarar essa luta 16-bit como um empate, pois ambos os consoles arrebataram grandes vendagens, elogiosas críticas da imprensa especializada, e, sobretudo, a fidelidade de milhões de jogadores. Mas, se há a necessidade de determinar um vencedor, esse foram os jogadores, que puderam desfrutar de dois consoles sensacionais, com inúmeros jogos que frequentam a lista de melhores jogos da história. Ainda mais que, para cada "Mario" lançado pela Nintendo, tínhamos o "Sonic"; Se a SEGA tinha "Streets of Rage", a Nintendo tinha "Final Fight"; a Nintendo mostrava gráficos vetoriais em 'Star Fox", a SEGA contra-atacava e mostrava "Vectorman"; a versão de "Street Fighter" no SNES era melhor gráficamente, mas a versão de "Mortal Kombat" para o Mega Drive era melhor porque não era censurada (em outras palavras, tínhamos sangue digitalizado em sprites); os defensores do SNES exaltavam a sua capacidade gráfica (ainda mais com os chips contidos no próprio cartucho), a torcida da SEGA mostrava a sensação de velocidade proporcionada nos jogos do Mega; Final Fantasy era sinônimo de RPG para os Nintendistas, mas a SEGA tinha Phantasy Star; o controle do SNES inovava pelos botões laterais, o Mega Drive tinha um controle com uma pegada um pouco melhor; o SNES inovava com os gráficos pseudo-3d de Donkey Country, o Mega Drive dava o clima de uma HQ em movimento com o maravilhoso "Comix Zone". Enfim, poderia falar dessa guerra a vida inteira, mas acho que fui claro nos meus argumentos...


Bom, depois desses comerciais, encerro essa segunda parte dedicada a "Batalha do Século". Mas esse especial não acaba por aqui. Na próxima edição comento mais sobre essa batalha, ressaltando a entrada das duas empresas nos gráficos 3D, e como o desentimento entre a Nintendo e uma outra empresa causou a invasão de uma atual gigante no mundo dos games...

Até a próxima e bons games a todos!!!

2 comentários:

Anônimo disse...

Nao posso deixar de postar...
belos textos para ótimos fatos da nossa infancia

bom serviço

Anônimo disse...

é impressionante os seus argumentos, e deixa claro o grande amor q tem por esses clássicos. realmente é um belo trabalho parabens!