quinta-feira, 31 de julho de 2008

22) O princípio da polaridade aplicado aos Shooters

E vamos seguindo nesse barco furado!!!

Um dos gêneros mais amados por mim (e, acredito eu, por vários outros gamers) são os shooters. Acreditem, poucas coisas são mais prazerosas do que pilotar uma navezinha por várias fases atirando em tudo que vê pela frente e desviando de saraivadas e saraivadas de tiros. Além disso, poucos gêneros incentivam tanto o highest score quanto esse. Por mais que você já tenha chegado até o final do jogo (e, acreditem, uma das coisas bastante características dos shooters são a sua dificuldade), não dá para negar: o grande barato é o fato de você ter superado aquele recorde que estava registrado anteriormente (seja ele da própria "máquina", de um outro jogador totalmente desconhecido, do seu melhor amigo ou ainda o seu próprio). Já fiz vários comentários sobre os shooters aqui e aqui. Volto a esse assunto por que o jogo a ser comentado têm um diferencial. Então, vamos a ele:


1) Nome do jogo - Ikaruga

2) Plataforma - Dreamcast

3) Datas de Lançamento - Japão - 5 de setembro de 2002

4) Produtora - Treasure

5) Distribuidora - ESP

6) Gênero - Shooter

7) História - Como na maioria dos jogos do gênero, você e a sua nave (advinhem o nome dela??) são a única esperança da humanidade contra hordas e hordas de inimigos aéreos e zilhoes de tiros inimigos.

8) Impressões Pessoais - Ontem o Meio Bit Games (caso você não conheça, é só olhar para os meus blogs recomendados, tem um link lá) postou uma enquete perguntando "Qual é a sua empresa favorita?", e, nas opções várias gigantes da indústria dos games. Por enquanto, a Blizzard/Activision (seria o efeito Diablo??) está vencendo. Claro que isso não é a verdade absoluta, até porquê enquetes não possuem esse objetivo. Ela provavelmente está ali apenas para incentivar a discussão. Curiosamente, ao participar da enquete, me senti impelido a não votar em nenhuma delas. Simplesmente porquê estaria sendo injusto com tantas outras desconhecidas. E uma delas que eu fiz questão de citar no comentário por lá foi a Treasure.

A Treasure foi formada em 1992, quando Masato Maegawa (um dos programadores de Castlevania Adventure), junto com vários outros funcionários, se afastou da Konami, fundando a produtora dois meses depois. E, passados 16 anos, a Treasure é uma das pouquíssimas empresas que andam (com sucesso) na contramão de toda a indústria do videogame. Não acreditam? Então vamos aos fatos: Seus jogos são produzidos em sua maioria em 2D (ou, quando são 3D possuem jogabilidade em 2D); a empresa possui cerca de 30 funcionários (pode falar, a sua sala de aula possui mais gente do que a Treasure...); a empresa foi fundada com a intenção de "fazer jogos sem compromisso", segundo Maegawa; e a empresa não segue tendências de mercado (isso significa jogos com dificuldade elevada, gráficos de cores vivas, ação ininterrupta, jogabilidade fenomenal e chefes de fases gigantescos e bastante criativos). Por tudo isso, numa época onde os jogos estão virando super produções cada vez mais grandiosas, foto-realistas e caras, uma empresa que ainda se mantém old-schoool e com o espírito hardcore é uma coisa de se louvar.

Bom, mas chega de comentar sobre a empresa (qualquer coisa eu faço um post sobre ela :D). Vamos ao jogo. Projetado inicialmente para ser uma continuação de Radiant Silvergun (outro excelente shooter para Sega Saturn), Ikaruga, ao contrário do seu antecessor, possui uma postura um tanto minimalista. Explica-se: ao invés de sete power-ups diferentes para a sua nave logo no início do jogo, cada um dotado de um sistema de level-up, o jogo não possuía nenhum do início ao fim (o que era extremamente raro em jogos do gênero). Entretanto, o jogo possui um sistema de tiros baseado na polaridade que é tão simples e, ao mesmo tempo, genial.

Ikaruga tem um sistema de polaridades, podendo entrar em polaridade branca ou preta. Com a polaridade branca, qualquer tiro branco que o inimigo atire vai ser absorvido pela sua nave e o seu tiro em inimigos pretos vai arrancar muito mais energia dele. Quando a sua polaridade é negra, os tiros negros inimigos são absorvidos pela Ikaruga e os inimigos brancos morrem muito mais fácil. A absorção de tiros, além de te dar pontos no score, enchem uma barra de especial que soltam misseis de energia (acumulando 12 quando a barra está totalmente cheia) com poder muito maior que os tiros normais e perseguem o inimigo. Toda a jogabilidade de Ikaruga se concentra em vc dominar a mudança de polaridade na hora certa para não só sobreviver, mas como para obter a maior pontuação possível.

Como se não bastasse a complexidade da fórmula, o jogador ainda pode realizar combos, eliminando três oponentes de mesma cor em seqüência. Quanto mais trios de oponentes você destruir, mais pontos em cadeia (chain) você fará, resultando em pontuações gigantescas. Entretanto, se você destruir em sequência dois inimigos brancos e um preto, a sequência se quebrará e a contagem volta para o início.

Caso tenha sido muita informação para a cabeça de vocês, vejam esse vídeo (e é só a primeira fase). E antes que perguntem, quem está jogando nesse vídeo não sou eu:

video



Essa combinação de mudança de polaridade, sequência de inimigos da mesma cor, frenesi de tiros, obstáculos e inimigos (seja da cor branca ou preta), e uma velocidade alucinante fazem de Ikaruga um dos jogos mais difíceis do gênero. Ao contrário dos outros do gênero, entender e, principalmente, se acostumar com a mecânica do jogo é uma tarefa para poucos (eu diria para doidos, viciados no gênero, sádicos, amantes da dificuldade extrema, enfim, vocês já entenderam). Mas acaba gerando um jogo extremamente viciante e, mesmo com apenas cinco fases, extremamente duradouro e recompensador. Você acaba gostando tanto que nem se importa mais com a ausência de power-ups. Aliás, não só a sua nave, a estratégia para sobreviver no jogo, os inimigos, os chefes de fase e até mesmo o design (fabuloso) das fases giram em torno do "conceito de polaridade". E é curioso notar que "Ikaruga" exige tanto ou mais reflexos rápidos, habilidade e concentração que um jogo de corrida ou quebra-cabeça.

Não bastasse essa mecânica de jogo impressionante, o jogo conta com um esmero gráfico impressionante. Passados seis anos do seu lançamento, o visual ainda surpreende, desde os efeitos visuais, a modelagem das naves inimigas, as telas de apresentação de cada fase (mostrados sob forma de capítulos), tudo com a assinatura de qualidade da Treasure. Além disso, a parte sonora do jogo merece destaque, demosntrando estilo (com uma voz robótica anunciando o número de combos) e uma trilha sonora das melhoresdo gênero, acompanhando com maestria a ação desenfreada do jogo (na minha humilde opinião, uma das 10 melhores trilhas sonoras de games).

Apesar de ter passado desapercebido na época do seu lançamento para Dreamcast (foi lançado apenas no Japão), graças a sua reedição para Gamecube o jogo caiu nas graças dos jogadores, alçando o status de um dos melhores jogos do console. Além disso, recentemente a Microsoft relançou o jogo na sua rede de games on-line (a XBOX Live) praticamente como em 2002, apenas com uma pequena polida gráfica (como se o jogo precisasse..:p) e com umas funções adicionais (tabelas de pontuações online, opção para gravar replays, e modo cooperativo para dois jogadores via Xbox Live ou em mesmo local). Ikaruga continua sendo um jogo para poucos (como boa parte dos jogos da Treasure), mas acaba gerando uma satisfação incomensurável para aqueles que são insistentes e se apaixonam por sua mecânica de jogo única. E, com tantos jogos super-produzidos e caríssimos que não valem nem a metade do que você gastou, caso você tenha um XBOX 360 você pode adquirir essa obra-prima por 800 Microsoft Points (ou U$$10). Mas, como foi avisado, esse jogo é para poucos. Ou, melhor dizendo: esse é um dos jogos que separam os meninos dos homens.

9) Fotos do Jogo -








Um comentário:

Leo disse...

Eu comecei a jogar o Ikaruga agora a pouco, mas realmente, é um dos melhores shooters que eu já joguei também.Existe uma certa satisfação em escapar de uma parede indesviável de balas intacto que nenhum outro gênero proporciona...